Tecnologia

Venda de smartphones cai 11% no Brasil; Apple e Samsung sobem e lideram ranking

O mercado de tecnologia no país vive um momento de desaceleração que acendeu o alerta em diversas fabricantes. Durante os primeiros seis meses deste ano, as vendas de celulares no Brasil registraram um recuo expressivo em comparação com o mesmo período do ano anterior. O levantamento feito pela consultoria Counterpoint reflete um cenário desafiador que não é exclusivo do território nacional, acompanhando tendências de retração observadas também em outros países da América Latina e na perspectiva global da indústria em relação aos anos anteriores.

Os vilões por trás do encarecimento dos celulares

Para compreender os motivos desse desaceleração, é preciso olhar para a cadeia global de suprimentos. O principal fator apontado pelo relatório da Counterpoint envolve a crise dos chips de memória, um gargalo diretamente provocado pela alta demanda do setor de inteligência artificial. O forte apetite da IA por componentes acabou desequilibrando as encomendas internacionais, fazendo com que as marcas ficassem com estoques reduzidos de peças essenciais. Como consequência, houve uma escalada nos custos de produção, empurrando as empresas a aumentarem o valor final dos produtos e a focarem na oferta de modelos mais caros, onde as margens de lucro são maiores.

Além do peso da crise de componentes, outros fatores internos ajudam a explicar o ritmo mais lento do comércio de telefonia no país. Houve uma redução perceptível na produção doméstica de dispositivos e o consumidor brasileiro passou a adotar um comportamento bem mais cauteloso antes de trocar de aparelho. Esse conjunto de condicionantes tornou a decisão de compra mais ponderada, impactando o volume total de remessas nas lojas.

O ranking das fabricantes e os destaques do mercado

Mesmo em um cenário desfavorável para o volume geral, algumas das principais gigantes do setor conseguiram comemorar resultados positivos e ampliar sua participação. A líder do mercado nacional segue isolada na primeira colocação, acumulando quase metade de todas as vendas do país após registrar um crescimento de dois dígitos. Em segundo lugar aparece a Motorola, mantendo sua posição consolidada e registrando um leve avanço em volume comercializado em relação ao período anterior.

Mais abaixo na tabela, o destaque de maior crescimento ficou por conta da Apple, que teve a alta mais expressiva entre as grandes marcas e encostou na Xiaomi na disputa pelo terceiro lugar. A fabricante chinesa, por sua vez, sentiu mais pesadamente os reflexos da crise de componentes, além de ter parte expressiva da circulação de seus produtos pulverizada por vendas importadas via marketplaces, dados que podem não ser capturados em sua totalidade nos relatórios oficiais. O ranking das cinco marcas de maior apelo no país é fechado pela Infinix, enquanto outras marcas menores juntas correspondem a uma fatia complementar do mercado.

A disputa acirrada entre marcas chinesas e o modelo mais procurado

A busca pelo público brasileiro também se intensificou com a chegada e consolidação de novas marcas internacionais. Nomes como Jovi, Honor, Oppo e a já conhecida Realme ajudaram a acirrar a concorrência na vitrine nacional, embora esse grupo também tenha enfrentado retração em suas participações diante das turbulências da indústria. A disputa se mostra acirrada, mas as marcas tradicionais mantêm uma forte barreira de entrada apoiada na confiança construída com o consumidor ao longo dos anos.

No quesito preferência por modelos específicos, aparelhos focados em custo-benefício continuam sendo a grande força motriz das vendas no país. Um exemplo emblemático dessa tendência é o sucesso da linha de entrada da líder do mercado, onde o modelo Galaxy A07 4G conseguiu abocanhar sozinho uma fatia surpreendente de todas as vendas nacionais no semestre. Esse resultado deixa claro que a busca por modelos intermediários e acessíveis prevalece no gosto popular.

As faixas de preço que continuam dominando o bolso do brasileiro

Quando o assunto é o orçamento investido pelo consumidor, os números deixam evidente o perfil do comprador local. A grande maioria esmagadora dos brasileiros continua concentrando suas compras em dispositivos que custam até R$ 1,2 mil. Essa faixa de preço permanece soberana no varejo, provando que a demanda por aparelhos funcionais e acessíveis se mantém forte, mesmo diante de um cenário de alta generalizada no custo dos eletrônicos.

Resta saber se a indústria conseguirá reequilibrar a cadeia de suprimentos e o fornecimento de componentes nos próximos meses para reaquecer o comércio. Por enquanto, as fabricantes enfrentam o desafio de equacionar custos de produção elevados com o teto de gastos de um consumidor cada vez mais exigente e atento aos preços.

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