Quando o iPhone X foi apresentado pela Apple em 2017, ele não era apenas mais um lançamento anual — era uma declaração de futuro. A empresa abandonava o botão físico frontal, introduzia o Face ID como nova forma de autenticação biométrica e inaugurava um design praticamente sem bordas que influenciaria toda a indústria nos anos seguintes. O aparelho celebrava os dez anos do iPhone e simbolizava uma ruptura com o passado. Agora, quase uma década depois, em 2026, surge a pergunta inevitável que movimenta buscas no Google e discussões em fóruns: ainda faz sentido usar o iPhone X hoje?
Para entender o cenário atual, é importante contextualizar o avanço tecnológico que ocorreu desde então. Entre 2017 e 2026, o mercado de smartphones passou por transformações profundas: chips ficaram mais eficientes e inteligentes, a fotografia computacional evoluiu de forma agressiva, a conectividade 5G se consolidou, telas ganharam taxas de atualização mais altas e recursos baseados em inteligência artificial se tornaram parte central da experiência móvel. Nesse contexto, o iPhone X deixa de ser apenas um smartphone antigo e passa a representar um marco histórico que precisa ser analisado sob dois ângulos distintos: o emocional e o técnico.
Do ponto de vista emocional, muitos usuários ainda enxergam o iPhone X como um aparelho “moderno”, especialmente porque seu design continua elegante e relativamente atual. Diferente de modelos muito antigos com bordas grossas e botão frontal, ele ainda se parece com um iPhone contemporâneo à primeira vista. Isso influencia diretamente a percepção de valor e prolonga sua relevância no imaginário popular. Porém, tecnologia não vive apenas de aparência — e é justamente aí que começa a análise mais profunda.
Em 2026, quem pesquisa “iPhone X ainda vale a pena?” geralmente está em uma de três situações: ou já possui o aparelho e quer saber se deve trocar; ou encontrou uma oferta tentadora no mercado de usados; ou simplesmente quer entender até onde vai a durabilidade real de um iPhone antigo. Independentemente do caso, a resposta não pode ser superficial. É preciso avaliar desempenho, suporte de software, segurança, compatibilidade com aplicativos atuais, longevidade de bateria e até mesmo a experiência prática no dia a dia.
Outro ponto importante é o suporte da Apple ao longo dos anos. A empresa sempre foi reconhecida por oferecer atualizações de sistema por um período maior do que a maioria das fabricantes concorrentes. Isso ajudou a consolidar a reputação da marca como sinônimo de longevidade e investimento seguro. No entanto, nenhum dispositivo recebe suporte eterno. Em 2026, o iPhone X já ultrapassou o ciclo tradicional de atualizações principais do iOS, o que impacta diretamente segurança, novos recursos e compatibilidade futura com aplicativos.
Design e construção
Se há um aspecto em que o iPhone X ainda consegue impressionar em 2026, é no design. Quando foi apresentado pela Apple, o aparelho representou uma ruptura visual completa com tudo que a linha iPhone havia mostrado até então. A remoção do botão Home, a adoção do entalhe superior (notch) e o aproveitamento frontal quase total da tela estabeleceram um novo padrão estético que rapidamente se espalhou por toda a indústria.
Quase nove anos depois, o curioso é perceber que o iPhone X não parece “antigo” à primeira vista. Seu corpo construído em vidro na parte traseira e frontal, combinado com moldura em aço inoxidável polido, ainda transmite sensação premium ao toque. Diferente de muitos aparelhos intermediários atuais que utilizam plástico ou alumínio mais simples, o X mantém uma construção sólida, com encaixes firmes e acabamento refinado. A sensação na mão continua sofisticada, com peso bem distribuído e ergonomia confortável para quem prefere smartphones mais compactos.
No entanto, ao observar com mais atenção, alguns sinais do tempo começam a aparecer. O notch, que em 2017 era sinônimo de inovação, hoje é percebido como grande e visualmente intrusivo quando comparado a soluções mais modernas, como recortes menores ou ilhas dinâmicas introduzidas em gerações posteriores. Em 2026, o entalhe do iPhone X revela claramente sua geração, ocupando um espaço considerável na parte superior da tela e limitando a área útil para notificações e ícones.
Outro ponto relevante está na resistência estrutural. O vidro utilizado no iPhone X foi avançado para a época, mas não conta com as evoluções de materiais que vieram depois, como composições mais resistentes a quedas e arranhões. Em termos práticos, isso significa que um aparelho com quase uma década de uso tende a apresentar microarranhões, marcas nas bordas metálicas e possível desgaste estético, especialmente se não foi protegido por capa durante toda sua vida útil.
A certificação IP67 contra água e poeira, presente no modelo, ainda oferece certa tranquilidade para respingos e acidentes leves. Contudo, é importante lembrar que essa proteção pode se degradar com o tempo. As borrachas internas responsáveis pela vedação perdem eficiência após anos de exposição a calor, umidade e variações térmicas. Em 2026, confiar plenamente na resistência à água de um iPhone X antigo pode não ser a decisão mais prudente.
Também vale destacar a espessura e o conjunto geral do aparelho. Com 7,7 mm e proporções compactas para os padrões atuais, o iPhone X agrada usuários que sentem falta de smartphones menores. Em uma era dominada por telas acima de 6,5 polegadas, seu formato de 5,8 polegadas se mostra mais fácil de manusear com uma só mão. Para muitos, esse pode ser inclusive um ponto positivo em 2026.
Por outro lado, a ausência de elementos que hoje são considerados quase padrão — como porta USB-C, que se consolidou no mercado global, ou tecnologias de carregamento mais rápidas e eficientes — reforça a sensação de que estamos diante de um dispositivo de outra era. O conector Lightning, embora funcional, já não acompanha a universalização de cabos e acessórios modernos.

Tela
Um dos maiores destaques do iPhone X no seu lançamento foi a introdução da tela Super Retina OLED de 5,8 polegadas. Na época, a Apple finalmente adotava o painel OLED em um iPhone, abandonando o LCD tradicional das gerações anteriores. O resultado foi imediato: cores mais vibrantes, contraste praticamente infinito, pretos profundos e uma sensação de imersão muito superior ao que os usuários estavam acostumados dentro do ecossistema da marca.
Em 2026, a pergunta inevitável é se essa tela ainda consegue competir com os padrões atuais. Do ponto de vista técnico, o painel mantém resolução de 2436 x 1125 pixels, com densidade de aproximadamente 458 ppi. Isso significa que, em termos de nitidez, o iPhone X ainda entrega excelente definição para leitura de textos, navegação em redes sociais e consumo de vídeos em alta qualidade. Para um usuário leigo, dificilmente haverá percepção de “pixels aparentes” ou falta de clareza.
O contraste continua sendo um dos pontos fortes. Como se trata de OLED, cada pixel pode ser desligado individualmente, produzindo pretos reais e economizando energia em conteúdos com fundo escuro. Em ambientes internos ou com iluminação controlada, a experiência visual ainda é bastante agradável, com cores equilibradas e boa fidelidade tonal — algo que sempre foi uma característica valorizada nos painéis calibrados pela Apple.
Entretanto, quando comparada aos smartphones lançados entre 2024 e 2026, a tela do iPhone X começa a revelar limitações importantes. A principal delas é a taxa de atualização de 60 Hz. Enquanto aparelhos modernos trabalham com 90 Hz, 120 Hz ou até frequências adaptativas superiores, proporcionando rolagens extremamente fluidas e animações mais suaves, o iPhone X mantém a experiência tradicional. Para quem nunca utilizou uma tela de alta taxa de atualização, isso pode não incomodar. Mas quem já experimentou um display mais fluido percebe claramente a diferença ao voltar para 60 Hz.
Outro ponto relevante está no brilho máximo. Embora o painel seja competente para uso em ambientes internos, em 2026 ele fica atrás de telas que ultrapassam facilmente 1500 nits em modo de alto brilho. Em dias muito ensolarados, especialmente ao ar livre, o iPhone X pode exigir esforço visual maior para leitura confortável de mensagens ou navegação em mapas.
Também é importante considerar o envelhecimento natural do OLED. Após quase uma década, unidades mais utilizadas podem apresentar desgaste diferencial de pixels, conhecido como burn-in, especialmente se o aparelho exibiu por longos períodos imagens estáticas com alto contraste. Elementos como barra de status ou ícones podem deixar sombras discretas na tela. Não é uma regra para todos os aparelhos, mas é uma possibilidade técnica real em dispositivos dessa idade.
Apesar dessas limitações, há um ponto que ainda merece destaque: o tamanho compacto. Em um mercado dominado por telas grandes, a diagonal de 5,8 polegadas do iPhone X oferece uma experiência equilibrada entre portabilidade e imersão. Para leitura, vídeos no YouTube ou navegação casual, o espaço continua suficiente, especialmente para quem prefere smartphones mais fáceis de manusear com uma só mão.
Áudio
Quando o iPhone X chegou ao mercado, a Apple já havia consolidado uma experiência sonora consistente em seus smartphones. O modelo trouxe sistema de alto-falantes estéreo, combinando o speaker inferior com o alto-falante frontal de chamadas para criar um efeito mais amplo e equilibrado. Na época, isso colocava o aparelho em um patamar competitivo dentro da categoria premium.
Em 2026, o desempenho de áudio do iPhone X ainda pode ser considerado funcional e adequado para tarefas cotidianas. Assistir a vídeos no YouTube, ouvir mensagens de voz no WhatsApp, realizar chamadas em viva-voz ou consumir podcasts continua sendo uma experiência clara e inteligível. O volume máximo é suficiente para ambientes internos moderados, e a separação estéreo ainda cria uma sensação de espacialidade interessante para um aparelho tão compacto.
Entretanto, quando analisamos com mais profundidade e comparamos com smartphones mais recentes, as limitações ficam evidentes. Os alto-falantes do iPhone X não possuem a mesma potência e profundidade sonora encontrada em dispositivos atuais, que contam com câmaras acústicas maiores, calibração aprimorada e, em alguns casos, suporte mais avançado a áudio espacial. Os graves são discretos, e em volumes mais altos pode surgir leve distorção, especialmente em músicas com batidas mais intensas.
Outro fator que merece atenção é a ausência de tecnologias mais recentes de processamento sonoro integradas a hardware moderno. Embora o iPhone X suporte formatos como Dolby Atmos em reprodução compatível via software, o impacto não é tão expressivo quanto em aparelhos mais novos, que contam com otimizações dedicadas no chip para processamento de áudio tridimensional mais imersivo.
Também é importante lembrar que o iPhone X não possui entrada para fones de ouvido de 3,5 mm, algo que já era tendência na época. Isso significa que o uso de fones com fio depende do conector Lightning ou de adaptadores, enquanto a experiência sem fio via Bluetooth continua sendo a alternativa mais comum. Em 2026, os padrões Bluetooth evoluíram, oferecendo menor latência e melhor eficiência energética. O iPhone X, por utilizar versões mais antigas da tecnologia, pode apresentar consumo energético maior e menor estabilidade quando comparado a dispositivos mais recentes.
Por outro lado, há um ponto positivo que merece reconhecimento: a consistência sonora. Mesmo após anos de uso, a qualidade de áudio tende a se manter estável, desde que o aparelho não tenha sofrido danos físicos. A engenharia da Apple sempre priorizou equilíbrio e clareza, e isso ainda se reflete na experiência geral.
Hardware e desempenho
No coração do iPhone X está o chip A11 Bionic, um processador que, em 2017, representava o que havia de mais avançado em engenharia móvel. Desenvolvido pela própria Apple, ele trouxe arquitetura de seis núcleos, sendo dois de alto desempenho e quatro de alta eficiência energética, além de uma GPU projetada internamente e um Neural Engine dedicado para tarefas de inteligência artificial — algo extremamente inovador para a época.
Em seu lançamento, o A11 Bionic superava concorrentes diretos em benchmarks e oferecia desempenho suficiente para jogos pesados, aplicações de realidade aumentada e multitarefa fluida. O problema não está no passado glorioso do chip, mas na distância tecnológica que separa 2017 de 2026.
Quase uma década depois, o salto geracional em arquitetura de processadores móveis é enorme. Chips modernos utilizam litografias muito mais avançadas, com maior eficiência energética, menor aquecimento e desempenho significativamente superior tanto em CPU quanto em GPU. Isso impacta diretamente o uso diário do iPhone X em 2026. Tarefas simples como navegação em redes sociais, reprodução de vídeos e uso de aplicativos leves ainda são executadas com relativa estabilidade, especialmente se o aparelho estiver com a bateria em boas condições e o armazenamento não estiver saturado.
Entretanto, ao abrir aplicativos mais recentes — especialmente aqueles que passaram por atualizações focadas em recursos de inteligência artificial, processamento de imagem em tempo real ou interfaces mais pesadas — começam a surgir pequenas engasgadas. O tempo de carregamento é maior, a alternância entre aplicativos pode apresentar recarregamento frequente, e jogos mais modernos já não rodam com a mesma fluidez de anos atrás. Isso se deve não apenas ao processador, mas também aos 3 GB de RAM, que hoje são considerados modestos.
Outro ponto crucial é a limitação de suporte a novas tecnologias. O iPhone X não possui conectividade 5G, permanecendo restrito ao 4G LTE. Em 2026, com redes 5G amplamente consolidadas, isso significa velocidades de download potencialmente menores e maior latência em comparação com dispositivos atuais. Para muitos usuários, isso pode não ser determinante, mas para quem consome streaming em alta resolução ou depende de upload rápido para trabalho, a diferença é perceptível.
Também é importante mencionar o aquecimento e a eficiência energética. Processadores mais antigos tendem a exigir mais energia para executar tarefas equivalentes às que chips modernos realizam com menor esforço. Isso impacta tanto na autonomia quanto na estabilidade térmica, especialmente em dias quentes ou durante uso intenso.
Ainda assim, há mérito na longevidade do A11 Bionic. O fato de um chip lançado em 2017 ainda conseguir manter o aparelho funcional em 2026 é um testemunho da otimização entre hardware e software característica do ecossistema Apple. A integração entre iOS e processador sempre foi um diferencial, permitindo que o iPhone X envelhecesse melhor do que muitos concorrentes Android da mesma geração.
Software e recursos
Se existe um fator que mais influencia a experiência do iPhone X em 2026, esse fator é o software. Durante muitos anos, a Apple construiu sua reputação oferecendo suporte prolongado para seus dispositivos, algo que sempre foi visto como diferencial competitivo frente a outras fabricantes. O iPhone X, de fato, recebeu atualizações importantes por um período considerável, mantendo-se relevante por muito mais tempo do que a média da indústria.
No entanto, nenhum ciclo de suporte é infinito. Em 2026, o iPhone X já não recebe as versões mais recentes do iOS, ficando limitado à última atualização oficialmente compatível. Isso impacta diretamente não apenas o acesso a novos recursos, mas também a segurança, a compatibilidade com aplicativos e a integração com serviços modernos.
Do ponto de vista prático, o sistema ainda é funcional. A interface permanece intuitiva, fluida dentro dos limites do hardware e relativamente estável. Aplicativos populares como redes sociais, mensageiros e plataformas de streaming continuam operando, embora alguns já possam exigir versões mais recentes do sistema para liberar recursos adicionais. Aos poucos, desenvolvedores tendem a priorizar versões mais atuais do iOS, o que pode resultar em atualizações indisponíveis para o iPhone X.
Outro aspecto crítico envolve segurança digital. Atualizações de sistema não trazem apenas novidades visuais ou funções inéditas; elas incluem correções de vulnerabilidades e aprimoramentos de proteção de dados. Em um cenário onde ataques virtuais e golpes online se tornam cada vez mais sofisticados, utilizar um dispositivo sem as atualizações mais recentes pode representar risco crescente ao longo do tempo.
Além disso, a evolução da inteligência artificial embarcada nos smartphones mudou radicalmente a experiência móvel entre 2024 e 2026. Recursos como assistentes mais contextuais, edição inteligente de fotos em tempo real, transcrição automática avançada e integração profunda com serviços baseados em nuvem passaram a exigir hardware e software mais recentes. O iPhone X, por limitações técnicas, não consegue acompanhar essa nova fase da computação móvel centrada em IA.
Há também a questão da integração com o ecossistema. À medida que novos produtos da Apple evoluem — como Macs, iPads e dispositivos vestíveis mais recentes — a sinergia entre aparelhos depende de versões atualizadas do sistema. Um iPhone X pode continuar funcionando dentro do ecossistema, mas não aproveita totalmente as funções mais modernas de continuidade, compartilhamento instantâneo e recursos colaborativos avançados.
Bateria
Se existe um componente que mais evidencia o envelhecimento do iPhone X em 2026, esse componente é a bateria. Diferente de processadores e câmeras, que podem continuar funcionando dentro de certas limitações, a bateria é um elemento químico sujeito a desgaste físico inevitável. E após quase nove anos desde o lançamento pela Apple, é natural que a autonomia já não seja a mesma — mesmo em unidades bem cuidadas.
O iPhone X foi lançado com uma bateria de aproximadamente 2.716 mAh, oferecendo, na época, autonomia suficiente para um dia inteiro de uso moderado. Em 2017, isso significava navegar na internet, utilizar redes sociais, ouvir música e assistir a vídeos sem grandes preocupações com recarga antes do fim do dia. Contudo, em 2026, a realidade de uso mudou drasticamente. Aplicativos se tornaram mais pesados, conexões de dados são mais constantes, vídeos em alta resolução são mais comuns e os próprios hábitos digitais ficaram mais intensos.
Além disso, baterias de íon-lítio sofrem degradação natural ao longo do tempo. Após centenas ou milhares de ciclos de carga, a capacidade máxima pode cair significativamente. Em um iPhone X original que nunca teve a bateria substituída, é comum encontrar níveis de saúde abaixo de 80%, o que impacta diretamente na autonomia diária. Isso significa menos horas longe da tomada e, em muitos casos, a necessidade de carregar o aparelho duas vezes ao dia para manter uso contínuo.
Há também a questão do gerenciamento de desempenho. A Apple implementou sistemas de controle térmico e de estabilidade que reduzem a performance do processador quando a bateria está muito degradada, com o objetivo de evitar desligamentos inesperados. Na prática, isso pode fazer o iPhone X parecer mais lento do que realmente seria em condições ideais de bateria.
Outro ponto relevante é o carregamento. O iPhone X suporta carregamento rápido via adaptador compatível e também carregamento sem fio padrão Qi. No entanto, a velocidade de carregamento já não compete com os padrões atuais do mercado, onde aparelhos atingem 50%, 70% ou até 100% em períodos muito mais curtos. Em 2026, esperar mais de uma hora para atingir carga significativa pode parecer demorado para quem está acostumado com tecnologias mais recentes.
Para usuários que optaram por substituir a bateria ao longo dos anos, a experiência pode melhorar consideravelmente. Uma bateria nova devolve parte da autonomia original e pode prolongar a vida útil do aparelho por mais algum tempo. Ainda assim, é importante lembrar que estamos falando de um hardware antigo, cujo consumo energético não foi projetado para os padrões atuais de uso intenso.
Câmera
Quando o iPhone X foi lançado, seu conjunto fotográfico representava um salto importante dentro da linha da Apple. O aparelho trouxe câmera dupla traseira de 12 MP, com lente grande-angular e teleobjetiva, ambas com estabilização óptica de imagem — algo que, naquele momento, ajudava a posicioná-lo entre os melhores smartphones para fotografia do mercado.
Em 2026, a análise precisa ser feita com dois filtros: o técnico e o comparativo. Tecnicamente, a câmera do iPhone X ainda é capaz de produzir boas imagens em condições ideais de iluminação. Em ambientes bem iluminados, com luz natural abundante, o sensor consegue capturar fotos com bom nível de nitidez, cores equilibradas e alcance dinâmico aceitável. O processamento da Apple sempre priorizou tons realistas, evitando saturação excessiva, e isso continua sendo perceptível nas imagens capturadas pelo aparelho.
O modo retrato, que utiliza a lente teleobjetiva para criar desfoque de fundo, ainda funciona de forma convincente, especialmente em fotos de pessoas. O recorte de profundidade é consistente para um dispositivo da época, embora não conte com os refinamentos de detecção avançada de bordas e objetos presentes em modelos mais recentes.
Entretanto, quando comparado aos smartphones de 2024, 2025 e 2026, o iPhone X evidencia claramente sua idade. Hoje, o mercado é dominado por sensores maiores, múltiplas lentes adicionais (ultra-wide, macro avançada, periscópica), além de algoritmos sofisticados de fotografia computacional que combinam múltiplas exposições em tempo real. O iPhone X não possui modo noturno dedicado com processamento avançado, o que significa que fotos em ambientes escuros tendem a apresentar ruído mais visível, perda de detalhes e menor definição.
A gravação de vídeo, que foi um dos pontos fortes do aparelho no lançamento, ainda é respeitável. Ele grava em 4K com boa estabilização óptica, entregando resultados utilizáveis para redes sociais e registros pessoais. Contudo, tecnologias modernas como estabilização aprimorada por IA, HDR inteligente de última geração e melhorias em captação de áudio ambiente simplesmente não estão presentes.
Outro fator importante em 2026 é a integração entre câmera e inteligência artificial. Atualmente, muitos smartphones realizam edição automática avançada, remoção inteligente de objetos, aprimoramento de nitidez por aprendizado de máquina e ajustes dinâmicos de iluminação. O iPhone X, limitado pelo hardware e pela versão de sistema disponível, não consegue acompanhar esse nível de processamento.
Na câmera frontal, utilizada para selfies e chamadas de vídeo, o desempenho ainda é aceitável em boa iluminação, mas a resolução e o alcance dinâmico ficam atrás dos padrões atuais. Em ambientes internos com pouca luz, a qualidade cai de forma perceptível.

Considerações finais
O iPhone X foi, sem exagero, um dos smartphones mais importantes já lançados pela Apple. Ele redefiniu o design da linha, popularizou o reconhecimento facial como padrão de autenticação e consolidou o conceito de tela praticamente sem bordas dentro do ecossistema da marca. Em 2017, era símbolo de inovação. Em 2026, é símbolo de resistência — mas também de limites inevitáveis.
Ao longo desta análise, ficou claro que o iPhone X ainda consegue cumprir funções básicas com competência. Ele navega na internet, roda aplicativos populares, registra fotos aceitáveis em boa iluminação e oferece uma experiência de uso estável dentro do que seu hardware permite. Seu design continua elegante, sua tela ainda é agradável e sua construção transmite qualidade mesmo após quase uma década.
Por outro lado, o avanço tecnológico dos últimos anos criou uma distância considerável entre o X e os smartphones atuais. A ausência de atualizações recentes de sistema impacta segurança e acesso a novos recursos. O processador A11 Bionic, embora impressionante em seu tempo, já não acompanha aplicações modernas mais exigentes. A bateria sofre com desgaste natural, e a câmera, apesar de competente, está distante dos padrões contemporâneos de fotografia computacional e inteligência artificial embarcada.
Em termos estratégicos, o iPhone X em 2026 se encaixa melhor como aparelho secundário, dispositivo de apoio ou opção temporária. Para quem já possui o modelo e utiliza o smartphone apenas para tarefas simples, pode ainda ser viável mantê-lo por mais algum tempo — especialmente se a bateria tiver sido substituída recentemente. Entretanto, para usuários que buscam desempenho consistente, longevidade futura, recursos baseados em IA e maior segurança digital, a atualização para um modelo mais recente torna-se não apenas recomendável, mas quase necessária.
A grande conclusão é que o iPhone X não se tornou inútil — ele se tornou histórico. Ele prova que um smartphone premium pode atravessar muitos anos com dignidade. Contudo, em um cenário onde a tecnologia evolui em ritmo acelerado, permanecer com um dispositivo lançado em 2017 significa aceitar concessões claras.
