Lançado oficialmente em 2017, o Huawei P10 marcou uma fase importante da fabricante chinesa no mercado global de smartphones. Em um período em que marcas como Samsung e Apple dominavam o segmento premium, a Huawei começava a consolidar sua reputação apostando fortemente em design refinado, câmeras desenvolvidas em parceria com a Leica e um desempenho que competia de frente com os principais flagships da época. Quase uma década depois, em 2026, revisitar esse modelo não é apenas um exercício de memória tecnológica, mas uma análise estratégica sobre até onde um topo de linha antigo consegue ir em um cenário extremamente mais exigente.
A tecnologia mobile evoluiu de forma agressiva nos últimos anos. Processadores ficaram mais eficientes e poderosos, telas ganharam taxas de atualização elevadas, baterias passaram a durar mais com carregamentos ultra rápidos e a fotografia computacional deu saltos impressionantes. Diante desse avanço acelerado, surge a pergunta central que guia este artigo: o Huawei P10 ainda consegue oferecer uma experiência minimamente satisfatória em 2026? E mais do que isso — para quem ele ainda pode fazer sentido?
É importante entender que o conceito de “valer a pena” mudou. Em 2017, um smartphone topo de linha era sinônimo de longevidade garantida por vários anos. Hoje, o ciclo de vida útil percebido pelo consumidor é muito mais curto, principalmente por conta das atualizações de software, compatibilidade com aplicativos modernos e demandas crescentes por desempenho gráfico e processamento de dados. O P10, que já foi referência em acabamento premium e fotografia acima da média, agora precisa ser analisado sob outra ótica: a da sobrevivência tecnológica.
Outro ponto fundamental é o perfil de usuário. Nem todo mundo busca o máximo desempenho ou os recursos mais recentes de inteligência artificial embarcada. Há quem utilize o smartphone basicamente para redes sociais, chamadas, vídeos no YouTube e aplicativos de mensagem. Para esse público, entender os limites e capacidades reais do Huawei P10 em 2026 é essencial antes de decidir manter o aparelho em uso, comprá-lo como opção barata no mercado de usados ou deixá-lo como dispositivo secundário.
Design e construção
Quando foi apresentado ao mercado, o Huawei P10 representava uma evolução estética importante dentro da linha premium da marca. Em 2026, ao analisarmos seu design com o olhar atual, fica evidente que ele carrega características marcantes de uma geração anterior de smartphones — mas isso não significa, necessariamente, que seu visual tenha se tornado irrelevante. Pelo contrário: há uma sobriedade e uma coerência no projeto que ainda agradam quem prefere um aparelho mais compacto e tradicional.
O corpo do dispositivo é construído majoritariamente em alumínio, com acabamento refinado e toque frio característico do metal escovado ou anodizado, dependendo da versão. Essa escolha de material transmite sensação de resistência e durabilidade, algo que muitos usuários ainda valorizam. Em uma era em que muitos smartphones apostam em vidro na traseira — mais suscetível a quebras — o P10 pode até parecer mais robusto no uso cotidiano. A pegada continua confortável, principalmente por conta do tamanho reduzido se comparado aos padrões atuais, que frequentemente ultrapassam 6,5 polegadas.
Um dos pontos que mais evidenciam sua idade são as bordas frontais superiores e inferiores. Em 2017, elas eram perfeitamente aceitáveis e até consideradas elegantes. Em 2026, entretanto, o mercado já consolidou telas quase totalmente sem bordas, com câmeras sob o display ou furos discretos. O P10 mantém um botão físico frontal que integra o leitor de impressões digitais, solução que na época era prática e rápida, mas que hoje compete com sensores sob a tela mais modernos e desbloqueio facial avançado.
Ainda assim, há uma vantagem clara no design mais compacto do P10: usabilidade com uma mão. Em um cenário onde muitos aparelhos são grandes e exigem ajustes constantes na pegada, o P10 oferece uma experiência ergonômica que facilita o acesso aos cantos da tela. Para usuários que preferem celulares menores, essa característica pode ser vista como um diferencial positivo, mesmo anos depois.
Outro aspecto relevante é a ausência de certificações avançadas contra água e poeira, algo que se tornou mais comum em modelos premium atuais. Isso significa que, em 2026, o P10 exige um pouco mais de cuidado no uso diário. Por outro lado, sua construção sólida ajuda a transmitir confiança estrutural, especialmente em unidades que foram bem conservadas.
Visualmente, o aparelho ainda mantém linhas limpas, câmeras traseiras alinhadas de forma discreta e acabamento uniforme. Ele não chama tanta atenção quanto modelos contemporâneos com módulos de câmera gigantes e design futurista, mas também não parece excessivamente ultrapassado à primeira vista. A linguagem visual é clássica, e isso pode jogar a favor para quem prefere algo discreto.

Tela
A tela do Huawei P10 foi, em seu lançamento, um componente equilibrado dentro da proposta premium da época. Equipado com um painel IPS LCD de 5,1 polegadas e resolução Full HD (1920 x 1080 pixels), o aparelho entregava densidade de pixels elevada, boa nitidez e cores relativamente fiéis. Em 2026, no entanto, a análise precisa ser feita com um olhar muito mais crítico, considerando o salto tecnológico que o mercado presenciou nos últimos anos.
O primeiro ponto que chama atenção é o tamanho. Enquanto a maioria dos smartphones atuais trabalha com displays que variam entre 6,4 e 6,8 polegadas, o P10 aposta em uma tela consideravelmente menor. Isso pode ser visto sob duas perspectivas. Para quem consome muito conteúdo multimídia, como vídeos em streaming, jogos ou leitura prolongada de documentos, a área útil reduzida pode parecer limitada. Por outro lado, há um nicho de usuários que sente falta de aparelhos mais compactos, e nesse cenário o P10 ainda oferece uma experiência confortável e prática, especialmente para uso com uma única mão.
Em termos de qualidade de imagem, a resolução Full HD continua sendo suficiente em 2026. A densidade de pixels ainda garante textos bem definidos, ícones nítidos e imagens sem serrilhado perceptível a olho nu. No entanto, o tipo de painel faz diferença. O IPS LCD, apesar de competente, não alcança o nível de contraste e profundidade de preto que telas OLED e AMOLED modernas oferecem. Isso significa que cenas escuras em filmes ou séries não terão o mesmo impacto visual, já que o preto tende a parecer mais acinzentado.
Outro ponto importante é a taxa de atualização. O P10 opera com 60 Hz, padrão absoluto na época de lançamento. Em 2026, entretanto, taxas de 90 Hz, 120 Hz ou até superiores se tornaram comuns, inclusive em modelos intermediários. Essa diferença impacta diretamente na sensação de fluidez. Ao rolar redes sociais, navegar em páginas da web ou alternar entre aplicativos, o P10 pode parecer menos suave quando comparado a dispositivos atuais. Não se trata de um problema funcional grave, mas é uma percepção clara para quem já experimentou telas de alta taxa de atualização.
O brilho máximo da tela também precisa ser considerado. Embora adequado para ambientes internos, ele pode apresentar limitações sob luz solar intensa. Smartphones mais recentes contam com picos de brilho significativamente mais altos, o que facilita a visualização em ambientes externos. Em 2026, isso se torna um diferencial importante para quem usa o aparelho constantemente fora de casa.
No quesito reprodução de cores, o painel IPS do P10 tende a priorizar uma calibragem mais natural, sem exageros na saturação. Isso pode agradar quem prefere fidelidade em vez de cores vibrantes artificiais. No entanto, telas OLED modernas oferecem modos ajustáveis, permitindo alternar entre tons mais vivos ou mais realistas, algo que o P10 não entrega com a mesma flexibilidade.
Áudio
O sistema de áudio do Huawei P10 reflete com bastante fidelidade o padrão dos smartphones premium de 2017: competente, funcional e suficiente para a maioria das tarefas do dia a dia, mas distante do nível de imersão que se tornou comum em 2026. Para entender o que esperar do aparelho atualmente, é preciso analisar tanto a qualidade do alto-falante externo quanto a experiência com fones de ouvido, além do comportamento em chamadas e consumo de mídia.
O P10 conta com um único alto-falante principal posicionado na parte inferior do dispositivo. Na época do lançamento, essa configuração era amplamente utilizada, mas hoje a maioria dos aparelhos, inclusive intermediários, já aposta em sistemas estéreo com dois canais dedicados ou combinações que utilizam o alto-falante de chamadas como reforço para criar sensação de espacialidade. Isso significa que, em 2026, o som emitido pelo P10 tende a parecer mais simples e menos envolvente.
Em termos de volume, o aparelho ainda consegue atingir níveis adequados para ambientes internos. Vídeos em redes sociais, chamadas em viva-voz e reprodução casual de músicas são perfeitamente possíveis. No entanto, ao aumentar o volume próximo ao máximo, é possível perceber certa perda de definição e leve distorção, especialmente em faixas com graves mais pronunciados. Smartphones atuais costumam oferecer equalização mais refinada, graves mais encorpados e maior clareza em volumes elevados, resultado de melhorias tanto em hardware quanto em processamento digital de áudio.
Um ponto que ainda pode ser considerado positivo é a presença da entrada tradicional para fones de ouvido em muitas unidades do P10. Em um cenário em que diversas fabricantes removeram essa conexão em favor do áudio exclusivamente via USB-C ou Bluetooth, o conector físico pode representar uma vantagem para usuários que preferem fones com fio, seja por qualidade sonora mais estável ou por evitar latência em jogos e vídeos. Com um bom fone de ouvido, a experiência sonora do P10 melhora consideravelmente, já que o limitador principal passa a ser mais o hardware interno de áudio do que o alto-falante externo.
No uso para chamadas, o aparelho mantém desempenho sólido. A qualidade do som no auricular é clara o suficiente para conversas em ambientes comuns, sem ruídos excessivos ou falhas de captação. Contudo, tecnologias modernas de cancelamento avançado de ruído e processamento inteligente de voz, presentes em dispositivos atuais, oferecem experiência superior em locais barulhentos. Em 2026, essa diferença se torna perceptível principalmente para quem depende do celular para trabalho ou reuniões frequentes.
Outro aspecto relevante é o consumo de conteúdo multimídia. Assistir a vídeos ou séries diretamente no alto-falante único pode limitar a sensação de imersão, já que não há separação estéreo real. O áudio tende a soar mais centralizado e menos amplo. Para quem consome muito conteúdo audiovisual, essa característica pode pesar na experiência geral.
Hardware e desempenho
Quando o Huawei P10 foi lançado, seu conjunto de hardware o posicionava de forma competitiva entre os principais topos de linha do mercado. Equipado com o processador Kirin 960, fabricado em processo de 16 nanômetros, e combinado com 4 GB de memória RAM na maioria das versões comercializadas globalmente, o aparelho entregava desempenho sólido para multitarefa, jogos e aplicações exigentes da época. Em 2026, no entanto, o cenário mudou drasticamente — e é nesse contexto que o desempenho do P10 precisa ser analisado.
O Kirin 960 utiliza uma arquitetura baseada em núcleos Cortex-A73 e Cortex-A53, que, no momento do lançamento, ofereciam equilíbrio entre potência e eficiência energética. Porém, ao comparar com os chips atuais, construídos em processos de 4 nm ou até menores, a diferença é significativa tanto em capacidade de processamento bruto quanto em eficiência térmica. Isso se traduz em tempos de abertura de aplicativos mais longos, maior tendência a aquecimento sob carga intensa e limitações claras ao executar tarefas mais pesadas.
No uso cotidiano básico — como navegar em redes sociais, utilizar aplicativos de mensagens, acessar sites, assistir a vídeos em resolução Full HD e realizar chamadas — o P10 ainda consegue se manter funcional. Entretanto, a fluidez não é comparável à de dispositivos modernos. Aplicativos atuais são mais pesados, utilizam bibliotecas mais complexas e exigem mais da GPU e da RAM. Em multitarefa, por exemplo, alternar entre vários aplicativos pode resultar em recarregamentos frequentes, já que os 4 GB de RAM passam a ser um gargalo em um sistema operacional e em apps muito mais exigentes do que eram em 2017.
Quando o assunto é jogos, a limitação se torna ainda mais evidente. Títulos atuais com gráficos avançados, efeitos de iluminação complexos e física detalhada exigem GPUs significativamente mais potentes. A GPU Mali-G71 presente no P10 era respeitável em sua geração, mas hoje opera no limite mesmo em configurações gráficas reduzidas. Jogos populares podem rodar, mas com ajustes no mínimo e, ainda assim, com quedas de frames em momentos mais intensos.
Outro ponto importante é a compatibilidade com versões recentes de aplicativos. Embora muitos apps ainda ofereçam suporte a versões antigas do Android, o desempenho não é otimizado para hardware tão antigo. Isso significa que a experiência pode ser prejudicada por lentidões não necessariamente causadas por falhas do aparelho, mas pela evolução natural do ecossistema de software.
O armazenamento interno, geralmente de 64 GB, também pode se tornar um fator limitante em 2026. Aplicativos ocupam mais espaço, fotos e vídeos têm maior resolução e arquivos de mídia são cada vez mais pesados. Embora o aparelho suporte cartão microSD em algumas variantes, a velocidade de leitura e gravação não acompanha os padrões atuais de armazenamento UFS mais avançado, o que impacta no tempo de carregamento de arquivos e instalação de apps.
Ainda assim, é importante contextualizar: para usuários com demandas simples e expectativas realistas, o P10 pode continuar servindo como aparelho secundário, dispositivo para tarefas básicas ou mesmo como telefone principal para quem não utiliza jogos pesados ou múltiplos aplicativos simultaneamente. O problema surge quando o usuário tenta extrair dele a mesma performance que espera de um smartphone moderno.
Software e recursos
Se há um ponto em que o tempo pesa de forma ainda mais decisiva sobre o Huawei P10 em 2026, esse ponto é o software. Diferente do hardware, que pode até continuar funcionando dentro de certos limites, o sistema operacional e os recursos embarcados dependem diretamente de atualizações, suporte oficial e compatibilidade com o ecossistema moderno de aplicativos — e é aqui que o P10 enfrenta seus maiores desafios.
O aparelho foi lançado com Android 7.0 Nougat e, ao longo de seu ciclo oficial de suporte, recebeu atualizações até versões posteriores do sistema, dependendo da região. No entanto, em 2026, ele já está há vários anos sem qualquer atualização oficial de segurança. Isso significa que o dispositivo não conta com os patches mais recentes contra vulnerabilidades, o que pode representar riscos para quem utiliza aplicativos bancários, realiza pagamentos digitais ou armazena informações sensíveis no smartphone.
Além da questão de segurança, há também o impacto direto na experiência do usuário. O Android evoluiu significativamente nos últimos anos, incorporando melhorias em gerenciamento de permissões, privacidade avançada, controle granular de notificações, integração com dispositivos inteligentes e otimizações profundas de desempenho. O P10, por estar limitado a versões antigas do sistema, não oferece muitos desses recursos nativamente. Isso cria uma sensação clara de defasagem quando comparado a smartphones atuais, mesmo intermediários.
A interface personalizada da Huawei, presente no aparelho, era conhecida por oferecer diversos recursos extras e opções de personalização. Em sua época, era considerada completa e funcional. Porém, em 2026, muitos dos recursos que eram diferenciais se tornaram padrão no Android puro ou foram superados por soluções mais modernas. Funções relacionadas a inteligência artificial, automação de tarefas e integração com assistentes virtuais evoluíram de forma expressiva, enquanto o P10 permanece com ferramentas limitadas à geração de seu lançamento.
Outro fator importante é a compatibilidade com aplicativos mais recentes. Embora a maioria dos apps populares ainda ofereça suporte para versões antigas do Android, é comum que novos recursos sejam liberados apenas para sistemas mais atualizados. Isso significa que o usuário pode continuar utilizando redes sociais, mensageiros e plataformas de streaming, mas talvez não tenha acesso às funcionalidades mais novas, seja por limitações técnicas ou por decisão das próprias desenvolvedoras.
No campo da biometria, o leitor de impressões digitais frontal continua funcionando com rapidez aceitável, mas não conta com tecnologias mais modernas de reconhecimento facial 3D ou sensores ultrassônicos sob a tela. Em 2026, a segurança biométrica evoluiu consideravelmente, tornando o sistema do P10 funcional, porém básico.
Há também a questão da integração com outros dispositivos. O ecossistema conectado — que envolve smartwatches, fones inteligentes, TVs e dispositivos domésticos conectados — tornou-se muito mais robusto nos últimos anos. Smartphones atuais oferecem integração mais profunda e estável com esses aparelhos, enquanto o P10 pode apresentar limitações de compatibilidade, especialmente com dispositivos lançados recentemente.
Bateria
A bateria é um dos componentes que mais sofrem com o passar dos anos, e no caso do Huawei P10 isso se torna ainda mais relevante em 2026. Originalmente equipado com uma unidade de aproximadamente 3.200 mAh, o aparelho oferecia, em 2017, uma autonomia considerada adequada para um dia inteiro de uso moderado. Entretanto, quase uma década depois, a análise precisa levar em conta não apenas a capacidade nominal, mas também o desgaste natural causado por ciclos de carga acumulados ao longo do tempo.
Baterias de íons de lítio perdem eficiência progressivamente. Após centenas — ou até milhares — de ciclos completos de carga e descarga, é comum que a capacidade real disponível seja significativamente menor do que a original. Isso significa que mesmo que o sistema ainda indique 100% de carga, a autonomia prática pode ser reduzida. Em 2026, é bastante provável que muitas unidades do P10 apresentem queda perceptível na duração da bateria, especialmente se nunca tiveram a peça substituída.
No uso cotidiano leve — mensagens, redes sociais, navegação em sites e chamadas — o aparelho ainda pode conseguir sustentar algumas horas longe da tomada, dependendo do estado da bateria. Porém, tarefas mais exigentes como streaming prolongado de vídeo, jogos ou uso intenso de câmera tendem a acelerar a descarga de forma mais perceptível. Isso acontece não apenas pelo desgaste físico da bateria, mas também porque o hardware mais antigo precisa trabalhar mais para rodar aplicativos modernos, o que aumenta o consumo energético.
Outro ponto importante é a eficiência energética comparada aos padrões atuais. Processadores modernos são construídos com tecnologias muito mais avançadas, o que permite maior desempenho consumindo menos energia. O chip presente no P10, embora eficiente para sua época, não alcança os níveis atuais de otimização. Isso significa que, mesmo com uma bateria nova, ele não teria a mesma autonomia de smartphones contemporâneos com capacidades semelhantes.
O carregamento também reflete os limites de sua geração. Embora o P10 conte com tecnologia de carregamento relativamente rápida para os padrões de 2017, ela está distante das soluções modernas que permitem recuperar grande parte da carga em poucos minutos. Em 2026, diversos aparelhos oferecem carregamento extremamente veloz, enquanto o P10 exige mais tempo conectado à tomada para atingir 100%.
Ainda assim, há um aspecto positivo: o tamanho compacto da tela e a resolução Full HD ajudam a não sobrecarregar tanto a bateria quanto telas maiores e com resoluções superiores fariam. Para usuários com perfil básico e brilho de tela moderado, a autonomia pode continuar aceitável — especialmente se a bateria tiver sido substituída recentemente.
Câmera
Quando o Huawei P10 foi lançado, um de seus maiores destaques era justamente o conjunto fotográfico. A fabricante investia fortemente em consolidar sua reputação no segmento de fotografia mobile, especialmente por meio da parceria com a Leica, que ajudou a posicionar a marca como referência em qualidade de imagem. Em 2017, isso colocava o aparelho em patamar competitivo frente aos principais flagships do mercado. Em 2026, no entanto, o cenário da fotografia em smartphones mudou de forma radical — e essa evolução é crucial para entender o que esperar do P10 hoje.
O conjunto traseiro do P10 traz um sistema de câmera dupla, com um sensor principal colorido e outro monocromático. Na época, essa abordagem era inovadora e permitia capturas com bom nível de detalhes, contraste interessante e a possibilidade de explorar o modo preto e branco com qualidade acima da média. A combinação dos sensores ajudava na captação de mais luz e na definição de profundidade de campo para efeitos de desfoque.
Em boas condições de iluminação, o P10 ainda é capaz de produzir imagens satisfatórias. As fotos apresentam nitidez aceitável, cores relativamente naturais e alcance dinâmico que, embora limitado comparado aos padrões atuais, não compromete totalmente a experiência. Para publicações em redes sociais ou registros cotidianos, o resultado pode continuar adequado, especialmente para usuários menos exigentes.
O desafio aparece em situações mais complexas. Ambientes com pouca luz evidenciam as limitações do sensor e do processamento de imagem da época. Smartphones modernos utilizam algoritmos avançados de fotografia computacional, empilhamento de múltiplas exposições e inteligência artificial para reduzir ruído e melhorar detalhes em cenários noturnos. O P10, por outro lado, depende de um processamento muito mais simples, o que resulta em imagens com mais granulação, menor definição e cores menos precisas em baixa luminosidade.
O modo retrato, que foi um diferencial no lançamento, também mostra sua idade em 2026. Embora consiga aplicar desfoque de fundo de forma convincente em muitas situações, o recorte não é tão refinado quanto os algoritmos atuais, que detectam com precisão fios de cabelo, contornos complexos e diferentes planos de profundidade. Em cenas mais desafiadoras, o P10 pode apresentar falhas perceptíveis na separação entre sujeito e fundo.
Na gravação de vídeos, as limitações também ficam claras. Embora seja possível registrar vídeos em boa qualidade para padrões antigos, a estabilização não alcança o nível de suavidade oferecido por smartphones atuais, que combinam estabilização óptica avançada com processamento digital inteligente. Isso impacta principalmente gravações em movimento, como caminhadas ou registros mais dinâmicos.
A câmera frontal, por sua vez, continua funcional para selfies e chamadas de vídeo, mas não oferece os recursos avançados que se tornaram comuns, como aprimoramentos automáticos mais sofisticados, HDR mais eficiente ou gravação em resoluções superiores com estabilização aprimorada.

Considerações finais
Analisar o Huawei P10 em 2026 é, acima de tudo, um exercício de contextualização tecnológica. O aparelho foi, em seu tempo, uma peça estratégica importante para consolidar a Huawei no segmento premium, oferecendo design refinado, câmeras diferenciadas e desempenho competitivo. No entanto, quase dez anos depois, o mercado evoluiu em ritmo acelerado, elevando significativamente os padrões de hardware, software, autonomia e fotografia.
Ao longo deste artigo, ficou claro que o P10 ainda consegue cumprir funções básicas com relativa dignidade. Seu design compacto continua confortável, a tela Full HD permanece nítida para tarefas cotidianas, o desempenho é suficiente para atividades leves e a câmera pode entregar bons resultados em condições ideais de luz. Para um usuário com expectativas realistas — que utiliza o smartphone principalmente para mensagens, redes sociais, chamadas e consumo moderado de conteúdo — ele pode continuar funcional.
Por outro lado, as limitações são evidentes e impactam diretamente a experiência moderna. A ausência de atualizações recentes compromete segurança e acesso a novos recursos. O hardware sofre com aplicativos mais exigentes. A bateria, dependendo do desgaste, pode não acompanhar um dia inteiro de uso intenso. E a câmera, embora competente em 2017, não acompanha o salto tecnológico da fotografia computacional atual.
Em termos práticos, o Huawei P10 em 2026 deixa de ser um aparelho competitivo para se tornar uma opção circunstancial. Ele pode fazer sentido como dispositivo secundário, celular de reserva ou alternativa extremamente econômica no mercado de usados. Porém, para quem busca fluidez consistente, integração com o ecossistema moderno, recursos avançados e maior longevidade digital, investir em um modelo mais recente é uma escolha muito mais alinhada às exigências atuais.
