Tecnologia

A ilusão dos 24 GB de RAM; Conar condena Motorola e site oficial desmente nota

A fabricante de smartphones Motorola posicionou-se publicamente pela primeira vez após sofrer uma condenação unânime do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária devido à veiculação de informações consideradas enganosas. Em comunicado oficial emitido no último sábado, a empresa assegurou manter um compromisso firme com a transparência e com a clareza das especificações repassadas aos consumidores. No entanto, apurações diretas e evidências coletadas na própria loja virtual da marca apontam uma realidade bem distinta e revelam inconsistências no posicionamento institucional.

A divergência de prazos e o ajuste nas páginas

Na manifestação enviada à imprensa, a empresa defendeu que a alteração exigida pela entidade de autorregulamentação já havia sido implementada em seus canais próprios desde o início do mês de agosto. Contudo, uma verificação realizada na loja oficial na última sexta-feira constatou que diversos modelos ainda exibiam descrições em desacordo com as orientações do órgão regulador.

A alteração em vários desses links de produtos só começou a ser efetuada ao longo da própria sexta-feira, logo após a publicação da notícia em primeira mão pela imprensa e a consequente repercussão em outros veículos. Diante da falta de embasamento fático sobre o cronograma informado, novos questionamentos foram encaminhados à equipe de comunicação da fabricante, que preferiu não responder às perguntas.

Alegações sobre costumes da indústria sob análise

A controvérsia teve início há cerca de um ano e meio, quando a marca passou a destacar que determinados celulares chegavam a contar com até 24 GB de memória RAM, somando a capacidade física do componente com a expansão via software. Em sua nota, a fabricante justificou o formato alegando que a prática de somar os dois tipos de memória seria um padrão consolidado no mercado. A afirmação esbarra na falta de comprovação, uma vez que o cálculo acumula críticas constantes de leitores e profissionais da imprensa especializada, sem nunca ter se tornado praxe no setor.

Por outro lado, a declaração de que marcas concorrentes adotam expediente semelhante tem respaldo em checagens recentes. Em varredura realizada nos sites da concorrência, a mesma forma de exibição foi identificada em anúncios de aparelhos da Xiaomi. Já as páginas oficiais de fabricantes como Apple, Samsung, Realme, Oppo e Jovi não apresentaram o problema em seus catálogos.

Desdobramentos administrativos e a diferença entre os recursos

Por se tratar de uma entidade não governamental, o conselho responsável pela fiscalização ética na publicidade não possui atribuições judiciais ou poder de polícia, embora suas deliberações sejam rigorosamente respeitadas pelos setores de mídia e propaganda. Como o regulamento interno autoriza a contestação das decisões, a empresa declarou que analisará o teor do parecer para avaliar se adotará ações adicionais no processo.

No aspecto técnico, a discussão não envolve o funcionamento ou os benefícios da tecnologia de expansão por software, que utiliza o armazenamento interno para otimizar o sistema e permitir a execução de mais aplicativos ao mesmo tempo, trazendo leves ganhos de desempenho nos testes. O foco do julgamento unânime recai exclusivamente sobre a clareza na comunicação comercial. Diante do cenário de adequações forçadas, o caso reforça que a especificação correta dos componentes é fundamental para garantir a transparência na relação com o consumidor.

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